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Crónicas do Whisky

Portuguese Finest

Antinomianismo da Fezada

Na fezada basta apenas ter fé, nada mais!

Não é preciso ter uma ciência por de trás para a escolha de cinco números e duas estrelas e ganhar o Euromilhões. Simplesmente, foca-se o olhar no boletim da aposta e com a esferográfica marca-se o número com a cruz, selecionado pela intuição.

A estatística aqui não é bem-vinda. Conhecer os números que mais saem e as combinações triplas e duplas que eles fazem, tal como a frequência com que saem, não faz sentido nenhum para o apostador nato. Ganhar o Euromilhões é tudo uma questão de sorte e, esta, está na fezada que cada um tem ao encher de cruzes o boletim.

Na hora do sorteio, a espectativa de saber se o palpite estava correto aumenta. A adrenalina dispara. A ansiedade aumenta. Até que sai o primeiro número.

“Ah, já não ganho o primeiro prémio”, refere o apostador depois de constatar que no meio de tantas cruzes, acertou ao lado do primeiro número.

Ainda assim, a sua fé em ganhar um dos prémios não termina até que saia da tômbola a última bola com o número.

Revoltado com o resultado, rasga o bilhete num acesso de fúria.  Promete que nunca mais joga.

Chegando o dia do próximo sorteio, a sua fé leva-o novamente a ter a sua fezada para que desta vez se torne um excêntrico milionário.

E assim, o ritual repete-se, semana após semana, um ou duas vezes, mantendo o seu antinomianismo na fezada para um sorteio, onde a estatística não é, claramente, bem-vinda.