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Crónicas do Whisky

Portuguese Finest

Raios partam as gaipas do touro

Foi chumbada a proposta da PAN para abolir as touradas. Não seria de esperar outra coisa da parte dos marranchos que se encontram no Parlamento.

Uma marrada parlamentar para a PAN.

Agora, até que ponto pode ser justificado o chumbo de uma proposta com base na tradição popular? Pergunto isto, porque, já se perdeu a conta ao número de tradições proibidas por leis aprovadas em Assembleia.

Depois, há aquele comentário sempre conveniente de alguns deputados, em que é o dever do estado de proteger as tradições e cultura. Discursos destes são de, digamos, choninhas. Não é novidade para ninguém que a cultura é das áreas menos sustentadas pelo Estado.

É sempre bom perceber que o Estado, de certa forma, se preocupa mais com a tradição do que como os animais morrem. Ou será que, não é assim?

Vamos lá ver bem estas tradições e leis. Ora, os touros de morte são proibidos em Portugal, mas, Barrancos é exceção à lei, por ser tradição. Por outro lado, a matança do porco tem de ser algo quase clandestino, apesar de ser uma tradição antiga.

Deixem ver se compreendi: não posso matar um porco em minha casa, que segue uma tradição familiar e da terra dos meus avós. As touradas mantêm-se, porque, é uma tradição, onde os touros são humilhados e maltratados para o deleite sádico popular, e mortos à posteriori em local próprio, com exceção de Barrancos que pode matar à frente de todos.

Não compreendi de todo.

Depois há uma alminha peregrina que pergunta: “Se as touradas estão a perder força, porquê abolir?”. Bem, o nazismo perdeu força com o fim da II Guerra Mundial, mas, com a história dos refugiados e com a eleição do Trump, parece que há um neonazismo emergente na sociedade, que parece ter estado sopitado dentro de algumas pessoas. Vai ser uma questão de tempo até que uma nova geração de sanguinários dê novo alento às touradas e as reinvente.

O dilema dos nossos deputados é que, parece-me, vivem num universo à parte. São como aquelas pessoas que assistem às notícias, mas, que só sabem uma parte da história e nem estão interessados em saber por inteiro, tecendo sentenças a torto e a direito.

Enquanto os deputados viverem presos às tradições parlamentares, é provável que Portugal continue um país de pequeninos.